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FRAGMENTOS DE UMA VIDA

Fique a vontade para ler a sinopse e o 1º capítulo desta obras de Francisco Maél, se quiser fazer contato com o autor sobre os livros ou ações sociais:
Tel: (21) 99175 0690

Fragmentos de uma vida é a minha biografia. Na primeira parte eu transcrevi partes de textos deixados por minha saudosa mãe. Também criei uma história para complementar as poucas informações que temos sobre o passado de meu avô paterno, Sebastião Pinto Maél.

Deixo claro que esta história intitulada “Um homem e seu passado”, é fruto de minha imaginação, a fim de complementar o pouco que sabemos sobre ele.

Na segunda parte o texto, em primeira pessoa, retrata de um modo fiel e unilateral, momentos de uma vida que vai da certeza do fracasso ao extremo sacrifício para obtenção do sucesso. Este personagem real, comum, mas diferente dos seus pares, uma verdadeira ovelha negra da família, dá um exemplo de capacidade de mudanças radicais.

Fragmentos de uma vida” não é uma história com final feliz, são momentos importantes de uma geração que como em toda família, alterna períodos de alegria, tristeza, dificuldades e a busca incessante do crescimento pessoal e familiar.

Na terceira parte transcrevi Cartas de amor de um adolescente, que é uma coletânea de cartas amareladas por mais de trinta anos. É uma história de amor que antecede o namoro até um casamento sólido e duradouro. Conflitos, desavenças, dúvidas e desconfianças fazem parte da personalidade adolescente em meio à concretização de um amor.

A busca incessante do entendimento, o reconhecimento dos erros, a aceitação dos defeitos e o reconhecimento das virtudes, são ingredientes para que a metamorfose da paixão num casulo, o amor aflore. Amar é muito mais que palavras. Amar é ação, é complementação, não é condicional. São mais de trinta e quatro anos de união, solidariedade, compromisso e companheirismo.

1º CAPÍTULO

NASCIMENTO
Num lugarejo chamado Purilândia, distrito de Porciúncula ao norte do Estado do Rio de Janeiro, no dia 4 de outubro de 1961, nasceu de parteira uma criança que estava toda recoberta por uma película chamada âmnio, dizem os antigos que isto significa boa sorte. Ao ser identificado o sexo, alguém perguntou qual seria o nome do varão, o avô Acácio disse que era para olhar na folhinha qual era o santo do dia. Assim começa a vida de Francisco de Assis Dutra Maél.
Nascer em casa, de parteira, foi a única opção, pois na época o sistema de saúde não era bem estruturado, dificultando alguns procedimentos que hoje se tornaram direito do cidadão. Por exemplo, fui registrado no local de nascimento no dia quatro de outubro, mas devido o trabalhador só ter direito a auxílio-natalidade após um ano de carteira assinada, fui novamente registrado, agora na cidade do Rio de Janeiro, após dois meses. Sendo assim, minha data de nascimento passou a ser diferente da data de aniversário. Quando adolescente, fiquei sabendo dos dois registros e em tom de brincadeira falei que poderia ter documentos distintos. Minha mãe não gostou do comentário e imediatamente pegou a primeira certidão e a destruiu.
Logo após o resguardo, voltamos para casa no Rio de Janeiro. Meu pai tinha vindo há mais ou menos um ano antes, tentar a vida no Rio. Ficou alguns dias na casa da tia Cacilda, irmã da minha mãe, onde teve apoio para procurar emprego e alugar uma casa para trazer a família.
Meu pai começou como operário na fábrica multinacional Bausch & Lomb. Que eu me lembre ele sempre trabalhou a noite, fazendo com que houvesse um acréscimo no salário e ainda sobrava tempo durante o dia para fazer outros serviços como de pedreiro, eletricista, bombeiro hidráulico etc., um verdadeiro “faz tudo”.
O primeiro local em que moramos foi Honório Gurgel, à margem do rio Acari num terreno grande, com vários quartos em volta e um banheiro comum para todas as famílias, era o que se chamava na época de “cabeça de porco”. Para agravar ainda mais, o proprietário, o velho Balico, era espírita tendo no local um centro espírita que todos conheciam como centro de macumba. Tinha noite que havia cantoria e batida de tambores até tarde da noite.
Naquele local, vivendo com extrema pobreza e sem condições higiênicas, convivíamos com outras famílias de numerosos filhos. Moramos naquele local por vários meses, até meu pai comprar um lote, também na beira do rio, na Rua Santa Cecília número sete, aonde construiu alguns cômodos para que pudéssemos sair do aluguel.
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