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HISTORINHAS QUE NINGUÉM LÊ

Fique a vontade para ler a sinopse e o 1º capítulo desta obras de Francisco Maél, se quiser fazer contato com o autor sobre os livros ou ações sociais:
Tel: (21) 99175 0690

Historinhas que ninguém lê tem duas partes, a primeira é uma coletânea de contos cariocas que são possíveis de ocorrer no dia a dia, geralmente as historinhas têm um tom irônico e de fácil leitura, agradando principalmente o leitor dinâmico e exigente.

A segunda parte são histórias de um sonhador, pequenas histórias criadas por um adolescente de quatorze anos e que tem um toque de terror.

1º CAPÍTULO
 

O SEQUESTRO
Amâncio estava descansando depois de um dia cheio. Tomava uma lata de cerveja e via uma partida de futebol pela TV, quando o telefone tocou:
- Alô! Pois não!
- Pai! Ô pai! Eu fui assaltado, disse o menino do outro lado da linha.
- Assaltado? Mas como?
- É pai! Fui assaltado, confirmou o menino chorando.
Do outro lado da linha outra pessoa assumia o fone.
- É isso mesmo! Sequestramos seu filho.
- Mas quem são vocês? O que estão fazendo?
- Nós somos sequestradores e vamos machucar muito o seu filho se o senhor não colaborar.
- Tá legal, eu colaboro, mas não machuquem o garoto.
- Muito bem, o senhor vai fazer o seguinte: vai até a mercearia do Manuel da esquina e vai pagar a conta da Maria Cachação, entendeu?
- Sim, pagar a conta da Maria Cachação, e quanto ela deve?
- Sei lá! Uns cento e cinquenta Reais.
- Só isso?
- Depois o senhor vai passar na Igreja e vai pagar o dízimo que está devendo.
- Até o dízimo? Mas estou dois meses atrasado.
- Então vai pôr em dia suas obrigações com Deus.
- Tudo bem, já era hora mesmo.
- Tem mais...
- Tem mais?
- Cala boca e escuta, se não faço seu filho dar um beijo na Geni.
- Não, pelo amor de Deus, na Geni não, ela é muito feia e cospe quando fala.
- Antes de sair o senhor vai mandar sua patroa trocar toda a roupa, inclusive a calcinha.
- Trocar até a calcinha?
- É, mas não diga o motivo, senão eu mato o seu filho.
- Fique tranquilo senhor sequestrador, vou à mercearia, depois à Igreja e falo com a minha mulher.
- Isso! Tem mais, você prometeu dar um presente para o seu afilhado, o Zezinho, lembra? Então trate de pagar a promessa... É só isso por hoje. Agora vá.
- Tudo bem, já estou saindo.
Antes de sair Amâncio entrou no quarto, acordou a mulher Maria Cachação que estava de porre e a mandou trocar de roupa.
- Mas só tem três dias que troquei a calcinha, disse ela meio tonta.
O homem saiu rápido. Foi à mercearia e pagou a conta da mulher. Passou numa loja e comprou um carrinho de brinquedo para o afilhado. Ainda apressado, chegou à Igreja e encontrou o pastor arrumando as cadeiras para o culto de logo mais a noite.
- Meu irmão, obrigado por se lembrar do dízimo do mês passado. O que aconteceu para vir aqui assim tão cedo?
- Recebi um telefonema do sequestrador, ele está com o meu filho e me mandou fazer um monte de coisas.
- Seu filho? Mas desde quando o senhor tem filho?
- Pois é, eu nem me liguei nisso. Eu não tenho filho.

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